Sobre Corredor e Rotas

O Corredor Rodoviário Bioceânico, ou simplesmente Corredor Bioceânico, está diretamente relacionado ao propósito histórico dos países latino-americanos de promover a cooperação e a integração social, cultural e econômica. Trata-se de um processo que não é recente e que, ao longo das décadas, foi materializado por meio de diversos projetos, planos, pactos, acordos, tratados, associações, conselhos e organizações. Essas iniciativas convergem para o fortalecimento regional, fundamentado na conciliação dos interesses internos de cada país envolvido.

Imagem Lucio Flávio Sunakazawa, 25/11/2014 .

No contexto da efetivação dessa integração, em 2015, foi apresentado o projeto de implantação do Corredor Bioceânico, cuja formalização ocorreu com a assinatura da Declaração de Assunção. Nesse documento, os presidentes do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile acordaram avançar gradualmente por meio de uma política de convergência na diversidade, expressa, inclusive, pela aproximação física entre os países do Atlântico e do Pacífico, bem como entre os blocos do Mercosul e da Aliança do Pacífico. Na mesma ocasião, foi instituído um Grupo de Trabalho entre os quatro países, com a finalidade de promover estudos técnicos e formular recomendações para a implementação do Corredor Rodoviário Bioceânico no trajeto entre Campo Grande (MS) e os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile.

Do ponto de vista da infraestrutura, a concretização do Corredor demanda a criação e o aprimoramento da malha viária nos quatro países, bem como a construção da Ponte Bioceânica, que conectará os municípios de Porto Murtinho (Brasil) e Carmelo Peralta (Paraguai), elemento estratégico para a integração territorial e logística da região.

Sob a perspectiva brasileira — especialmente do estado de Mato Grosso do Sul — o acesso ao Oceano Pacífico representa uma oportunidade promissora de redução de distâncias e do tempo de transporte das importações e exportações destinadas aos mercados da Ásia, Oceania, costa oeste dos Estados Unidos e a outros países da América Latina, podendo gerar vantagens comerciais e logísticas significativas.

A proposta do Corredor Bioceânico envolve, ainda, a integração dos quatro modais de transporte — aéreo, ferroviário, fluvial e rodoviário — como estratégia para ampliar as possibilidades de conexão, circulação e distribuição de cargas, fortalecendo a competitividade regional.

Desde sua formalização, o Corredor Bioceânico passou a ser identificado por diferentes denominações. Em 2016, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul adotou a nomenclatura Rota Bioceânica. Já a Rota de Integração Latino-Americana (RILA) foi o nome utilizado pela Rede de Empresários coordenada pelo SETLOG-MS, responsável pela realização das expedições técnicas entre 2013 e 2023, com o objetivo de identificar o melhor traçado para a conexão com o Pacífico. Nesse contexto, e em razão do envolvimento crescente da academia, foi instituída a Rede de Universidades da Rota de Integração Latino-Americana (UNIRILA).

Como um marco institucional e histórico, durante a IV Reunião do Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, realizada em Campo Grande (MS), entre 18 e 20 de fevereiro de 2025, governadores e autoridades dos oito territórios subnacionais do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aprovaram a imagem corporativa e o site oficial do Fórum e do Corredor. Na mesma ocasião, foi tomada a decisão conjunta de adotar exclusivamente a nomenclatura “Corredor Bioceânico de Capricórnio”, consolidando uma identificação única do corredor nos quatro países e fortalecendo sua identidade institucional, política e territorial.

Expedições

O projeto Rota de Integração Latino-Americana (RILA) do SETLOG MS fez inúmeras incursões partindo de Mato Grosso do Sul com destino aos portos do norte do Chile para apresentar um corredor viável, tanto economicamente quanto socialmente, e que pudesse ser utilizado sem muitas construções novas e sim utilizado a estrutura existente nos países.
Neste processo foram realizadas, até o momento, 3 expedições que saíram de Campo Grande e foram aos Portos do Chile, com subsídios captados junto a empresários e gestores públicos que também participaram de todas e contribuíram com a decisão pelo melhor trajeto.

1ª Expedição: Iniciada em 27/09/2013 que deu origem ao nome Rota de Integração Latino-Americana – RILA: Unindo Povos-Ligando Oceanos. Os “Rileiros” saíram de Campo Grande, passaram pela Bolívia, via Corumbá e de lá seguiram para o norte do Chile em Iquique. Este trecho não se mostrou muito viável, o que fortaleceu ainda mais a ideia da Rota via Porto Murtinho.
Vídeo 2013

2ª Expedição iniciada em 25/08/2017, depois de 4 anos de preparação, visitas prévias e negociações os “Rileiros” partiram de Campo Grande/MS e agora, via Paraguai por Porto Murtinho e Carmelo Peralta o grupo rumou para o Norte do Chile até os portos de Iquique e Antofagasta.
Vídeo:

3ª Expedição iniciada em 24/11/2023, motivados pela Realização do IV Foro Territorios Subnacionales del Corredor Bioceánico de Capricornio em Iquique no Chile, os “Rileiros” organizaram uma nova viagem, pelo mesmo caminho via Paraguai, buscando analisar o trajeto já com várias obras concluídas, aproveitando o bom momento político relacionado a implementação da Rota Bioceânica.
Vídeo: No site do SETLOG MS existem informações, artigos e vídeos com informações detalhadas sobre cada uma, que também foram registradas por meio de vídeos produzidos por participantes e empresários.

Saiba Mais

Países na Rota Bioceânica

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina
  • Chile

O trajeto da Rota no Brasil sempre mostra Campo Grande como sendo o centro da Rota (Hub) no Mato Grosso do Sul. As localidades impactadas considerando como ponto de partida o Porto de Santos (Atlântico):

- Entrada por Três Lagoas: Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande, Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim e Porto Murtinho. Indiretamente: Jaraguari, Terenos, Dois Irmãos do Buriti, Anastácio, Maracaju, Bonito, Bela Vista e Caracol.

- Entrada por Bataguassu: Nova Alvorada do Sul, Campo Grande e indiretamente: Santa Rita do Pardo, Brasilândia, Anaurilândia, Nova Andradina, Rio Brilhante

Rodovias Impactadas no MS: BR-262, BR163, BR-267, MS-060, MS-040, MS-338.

A Ponte Bioceânica está sendo construída sobre o Rio Paraguai entre as cidades de Porto Murtinho/MS e Carmelo Peralta/PY, são 1300 metros no total, tendo o vão livre de 630m. A obra está sendo financiada pela Itaipu Binacional e sob responsabilidade do Governo Paraguaio.

O acesso a Ponte Bioceânica do lado brasileiro, na BR-267/MS, está sob responsabilidade do Governo de Mato Grosso do Sul, o trecho terá 13.63Km, além da estrada está sendo construído o Centro Aduaneiro de Controle de Fronteira, com infraestrutura para suportar o fluxo de entrada e saída de veículos e pessoas.

Instituições Acadêmicas membros da UniRila no Brasil:

Imagem ilustrativa da Ponte Bioceânica. Fonte: Itaipu Paraguai
Assista ao video sobre.

Trajeto Corredor Bioceânico. Fonte: Imagem divulgação Semadesc/MS

Oportunidades e Desafios

A Rota Bioceânica representa uma iniciativa multidimensional capaz de transformar a dinâmica econômica regional ao conectar territórios do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Para maximizar seus benefícios, é fundamental identificar não apenas as oportunidades, mas também os desafios e as ações necessárias para mitigá-los ao longo do processo de implantação da Rota.

Os grupos de trabalho criados para análise de oportunidades e desafios, bem como soluções para o processo de implantação do Corredor Rodoviário Bioceânico estão organizados nos seguintes temas: Academia e Educação, Comércio e Procedimentos de Fronteira, Segurança, Municípios, Obras Públicas, Logística e Transporte, Cidadania com Enfoque em Gêneros e Povos Originários, Saúde e Sustentabilidade e Turismo.

Estamos produzindo alguns destaques que serão apresentados aqui, contendo um resumo do que está sendo discutido no âmbito dos grupos de trabalho. Aguarde um pouco mais!

Em nosso Repositório temos algumas publicações que podem te ajudar, selecionamos algumas para iniciarmos a nossa jornada.

Rotas de Integração - Brasil

O projeto das cinco rotas de Integração e Desenvolvimento Sul-Americano surgiu como uma demanda do Governo brasileiro, depois que o Consenso de Brasília, que reuniu líderes da América do Sul no dia 30 de maio de 2023 em Brasília, decidiu pela retomada da agenda da integração regional.

Coube ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) desenhar as cinco rotas após consulta realizada aos 11 Estados brasileiros que fazem fronteira com os países da América do Sul. As rotas têm o duplo papel de incentivar e reforçar o comércio do Brasil com os países da América do Sul e reduzir o tempo e o custo do transporte de mercadorias entre o Brasil e seus vizinhos e a Ásia. Elas receberam o nome de Rotas de Integração Sul-Americana, como pode ser observado no Mapa Geral elaborado pelo MPO, cada uma delas está relacionada a uma parte do Brasil.

Mapa Geral RISA. Fonte: MPO

A Rota 4, Bioceânica de Capricórnio é a que se refere ao Corredor Rodoviário Bioceânico/Rota Bioceânica, iniciada em Santos-SP e Paranaguá-PR, possui distintos caminhos que passam por cidades fronteiriças do Brasil. Apesar de estarem em diferentes latitudes, as vias de Porto Murtinho-MS, Foz do Iguaçu-PR, Dionísio Cerqueira-SC e, inclusive, São Borja-RS convergem para as cidades argentinas de Salta e Jujuy antes de cruzar a Cordilheira dos Andes, pelo Paso de Jama ou pelo Paso de Sico, no sentido dos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones, Iquique e Arica, no Pacífico.

Mapa Rota 4 RISA. Fonte: MPO

Esta Rota contempla os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, podendo estender a sua influência inclusive sobre o noroeste do Rio Grande do Sul. Esse traçado se articula com outras duas Rotas de Integração e Desenvolvimento: a Rota 5 (Porto Alegre - Coquimbo) ao sul e a Rota 3 (Quadrante Rondon) ao norte. O que demonstra a capacidade de integração da Rota Bioceânica.

Mapa Integração Rotas 3, 4 e 5. Fonte: MPO

O MPO disponibilizou uma apresentação em seu site que traz informações sobre as Rotas de Integração Sul-Americana.

Saiba mais

Documentos basilares do Corredor Rodoviário Bioceânico

  • Declaração de Assunção – Paraguai (2015)
  • Declaração de Brasília – Brasil (2017)